PAINEL INTERATIVO “FAMÍLIA DO CONGO”

Navegando pelas Tradições, Relações Familiares e Pertencimentos Culturais nas Bandas de Congo da Serra – ES

Introdução: 

A tradição das bandas de congo da Serra – ES e suas festas populares é um patrimônio vivo e multicentenário, que pulsa nos toques dos tambores, no raspar das casacas, no dançar das rainhas e dançarinas, que alegremente giram seus estandartes e exibem símbolos devocionais nos cortejos festivos e nas relações de pertencimento entre gerações. 

Estudos mais atentos e também o senso comum dos memorialistas locais têm demonstrado que a musicalidade, a devoção, a fé e a organização socioinstitucional foram as principais causas da origem e da manutenção destas manifestações populares por gerações. O projeto “Família do Congo” nasceu com o objetivo de compreender tal história e essas relações sob uma nova perspectiva: a análise de vínculos familiares e parentais como um outro motor da força originária e da identidade nas bandas de congo.  

Para isso, além das informações já adquiridas nas pesquisas históricas e etnográficas anteriores, esse projeto aprofundou o tema utilizando metodologias participativas e ferramentas digitais para coletar os dados e organizá-los.  

Como resultado, após uma rodada inicial de coleta de participações e preenchimento de um formulário de pesquisa, as informações colecionadas permitiram a construção de um Painel Interativo dispondo as principais descobertas feitas. Esse relatório foi elaborado usando o programa Power BI da Microsoft, uma plataforma que permite navegar por dados reais fornecidos por integrantes das bandas de congo, revelando padrões, trajetórias e conexões que nos ajudam a conhecer os sentidos dos vínculos familiares e de parentesco nas bandas de congo e entre as comunidades, a partir do recorte do território do município da Serra.  

Este artigo descreve os principais elementos desses dashboards, apresentando uma leitura técnica e interpretativa das primeiras informações reunidas e organizadas. Além disso, explica como navegar pela ferramenta, indicando algumas de suas possibilidades.  

Ao longo do artigo as informações sobre o painel serão ilustradas por fotografias das páginas e elementos. Ao final, o leitor tem acesso ao próprio painel Família do Congo na íntegra, no qual poderá navegar usando todos os seus recursos. Aconselhamos ler o artigo primeiro para depois fazer a navegação. Porém, é possível também visualizar o painel antes ao final da página desta artigo e depois ler o artigo, caso prefira essa opção.


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Metodologia: da escuta à visualização dos dados

O painel é fruto de um formulário participativo feito pela plataforma Google, o qual foi aplicado junto às bandas de congo do município, e que é preenchido de forma individualizada. Os dados foram organizados em diferentes bases temáticas de dados, por meio das quais foram discernidas algumas dimensões e alguns fatos que contribuíram para a organização dos dados.  

Dentre essas bases, incluem-se as seguintes ordens de dados: 

  • Base de Membros e Bandas
  • Base de Características Pessoais
  • Base de Características Familiares nos membros e nas bandas; 
  • Base de Relações de Parentesco
  • Base de Relações de Parentesco Mestres e Rainhas Históricos; 
  • Base de Eventos e Ciclos Festivos

Tendo como base esses grupos de dados, algumas categorias serviram para subdividir as informações, constituindo filtros por banda de congo, por bairro, por gênero, por idade, por fase de pertencimento (mirim e adulta), por tipo de parentesco dentre outras características.  

O painel foi desenvolvido com a plataforma Power BI permite visualizações dinâmicas, interativas e responsivas. Ele oferece recursos como filtros, navegação por páginas temáticas e visualizações em mapas, tabelas e redes. A estética do painel é cuidada, respeitando a simbologia e os códigos culturais das bandas de congo, sem abrir mão da clareza na apresentação dos dados. Além de ícones importantes e cores, o painel usou também fotos das bandas de congo e de personalidades como um elemento visual ilustrado que cria conexões com os membros das comunidades e aqueles que conhecem a história e a cultura local.  

Estrutura do Painel: como está organizado

A navegação está organizada em diversas páginas ou dashboards, que partem de uma capa com um menu temático que conduz às principais partes do relatório visual e gráfico, a partir de temáticas específicas.  

Capa do Painel “Família do Congo” indicando o aspecto geral do design, os apoiadores e órgaos patrocinadores do projeto ao lado e na parte superior, o Menu Geral do painel, que é descrito no artigo a seguir.

No Menu, inserido na parte superior da capa com a arte e a foto adotada para compor a identidade visual do projeto, com as mulheres componentes de uma banda de congo abraçadas e posando, destaca-se uma página Principal. Ao entrar nesse botão, o leitor será conduzido para uma página com informações gerais dos dados coletados e dois botões fotográficos que distribuem os dados de todos os grupos participantes por fase de pertencimento: Bandas de Congo Mirim e Bandas de Congo Adultas. Clicando em cada uma dessas categorias, se vai para páginas com todas as fotos das bandas de cada categoria nominalmente organizadas. E, ao clicar em cada banda o leitor terá à disposição um perfil de cada grupo, com algumas informações organizadas por gênero e outras categorias.  

Em seguida, a capa traz mais 6 botões tratando de forma separada das festas na história, da localização geográfica de todos os participantes da pesquisa, das características e tipos de parentesco evidenciados e dois painéis mostrando as redes de parentes por banda de congo e também em torno dos grandes mestres e rainhas da história e que ainda estão atuando nas comunidades.  

PÁGINA “PRINCIPAL” 

A primeira aba do menu leva a uma visão introdutória e panorâmica dos dados coletados na pesquisa. Esta seção atua como um “mapa de entrada” para o universo das bandas de congo e suas relações familiares. 

Ao clicar no munu “Principal”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

Apresenta em destaque duas imagens representativas (bandas infantis e adultas) que funcionam como botões clicáveis. Elas direcionam para os painéis específicos, oferecendo uma experiência intuitiva e estética. 

Além disso, há: 

  • Indicadores de % de participação feminina e por fase de pertencimento mostram já um primeiro conjunto de informações que a pesquisa revelou; 
  • Gráfico de barras com a distribuição por fases de pertencimento (adultos, mirins e não-declarados). 

O que você encontra nesta aba: 

  • Filtros interativos no topo da tela que permitem segmentar os dados por função do membrolocalidadebairro e banda específica. Esses filtros são essenciais para refinar a visualização conforme o interesse do usuário. 
  • Fotos históricas das bandas mirins e adultas, cada uma acompanhada de um botão com ícone ilustrado que direciona para páginas detalhadas com informações específicas sobre essas fases de pertencimento. 
  • Gráficos principais
  • Membros por fase de pertencimento e estado civil: apresenta a distribuição entre bandas mirins e adultas com base na situação conjugal. 
  • Distribuição por sexo dos membros nas diferentes fases. 
  • Menção de parentesco por sexo: dado que evidencia quem menciona ou é mencionado como parente no interior das bandas, a partir de cruzamentos por gênero. 

Essa aba permite um primeiro contato com a base de dados estruturada, revelando de forma ampla que o pertencimento às bandas de congo da Serra-ES se organiza em torno de uma diversidade de configurações familiares, com forte presença de mulheres e uma significativa expressão da tradição também entre as crianças e jovens nas bandas mirins. 

PAINEL DE ADULTAS

Apresenta indicadores detalhados das bandas com participantes adultos, com possibilidade de seleção por banda ou comunidade/bairro. 

Indicadores disponíveis: 

  • Total de integrantes; 
  • Participação feminina; 
  • Quantidade de vínculos de parentesco; 
  • Rede de conexões familiares; 
  • Dados de localidade, nome da banda e tipo de parentesco. 

 PAINEL DE MIRINS 

Segue o mesmo modelo do painel anterior das bandas adultas, agora focado nas bandas mirins, respeitando a especificidade da participação de crianças e jovens. Revela como os laços familiares influenciam desde cedo a formação identitária. 

INDICADOR DE PARTICIPAÇÃO NA PESQUISA – MAPEANDO O ALCANCE COMUNITÁRIO

A aba “Participação” do painel interativo Família do Congo foi concebida para proporcionar uma visão clara e transparente sobre o envolvimento das comunidades congueiras da Serra/ES no preenchimento do formulário de pesquisa. Ao navegar por esta seção, o usuário tem acesso direto a três elementos centrais: a seleção por banda de congo, o indicador de meta e total de participantes (o que seria adequado em termos de número de participantes da pesquisa por banda), e a lista com informações individuais dos participantes. 

Ao clicar no munu “Participação”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

1. Seleção Interativa por Banda de Congo 

O primeiro bloco da página organiza visualmente as diferentes bandas de congo mirins e adultas que participaram ou estão convidadas a participar da pesquisa. Cada banda é apresentada como um botão interativo em uma grade de seleção, incluindo os nomes reais dos grupos, que remetem à tradição e ao território, como “Mirim de São Pedro – Jacaraípe”, “Banda de Congo Re-Congo – Nova Almeida”, ou “Folclórico São Benedito – Serra-Sede”. 

Essa disposição oferece uma experiência de navegação intuitiva: ao clicar sobre o nome de uma banda, o painel filtra automaticamente os dados exibidos nos demais gráficos e tabelas, permitindo ao usuário analisar a participação específica daquela banda. Essa função é útil tanto para o público geral quanto para lideranças culturais e pesquisadores que acompanham o engajamento comunitário. 

2. Gráfico de Velocímetro: Meta e Participação 

No lado direito da tela, destaca-se o gráfico circular estilo velocímetro que apresenta o número total de participantes da pesquisa até o momento. Esse número é comparado com uma meta de referência (45 por comunidade), sugerida como patamar mínimo ideal para garantir robustez estatística e representatividade dos dados — ancorada no conhecimento usual sobre o número de pessoas que atuam em cada grupo. O velocímetro confere uma leitura rápida da proporção de participação em relação à meta para cada grupo, incentivando o acompanhamento contínuo da adesão ao projeto. 

3. Tabela Dinâmica de Participantes 

Logo abaixo do gráfico de meta, encontra-se uma tabela detalhada com os dados coletados por meio do formulário da pesquisa. A lista fornece informações, tais como: 

  • Nome completo do participante 
  • Sexo 
  • Estado civil 
  • Bairro de residência 
  • Banda de congo à qual está vinculado(a) 

Essa visualização reforça o compromisso com a transparência da pesquisa e permite uma exploração minuciosa da base de dados por parte de interessados, como pesquisadores, educadores, mestres de banda e gestores culturais. Além disso, essa tabela pode ser usada como instrumento de devolutiva para as próprias comunidades, fortalecendo o senso de pertencimento e corresponsabilidade no processo de produção do conhecimento. 

FESTAS NA HISTÓRIA: A LINHA DO TEMPO DOS RITUAIS E CELEBRAÇÕES

A aba Festas na História do Painel Família do Congo oferece uma incursão visual e interativa pelo calendário festivo das bandas de congo da Serra-ES, revelando, a partir das principais festas e atividades do calendário histórico da tradição cultural a profundidade histórica e simbólica dos eventos que compõem o ciclo folclórico-religioso da região. 

Ao clicar no munu “Festas na História”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

🧬Diversidade de Eventos do Ciclo Folclórico 

Na parte superior da página, uma barra informativa indica o nome do evento e o indicativo de quando ocorre segundo a tradição. Por exemplo, ao marcarmos a Celebração da Cortado do Mastro de São Benedito da Serra, se verá ali a inscrição de que ele ocorre no “1º Domingo após o 8 de dezembro”, Dia da Imaculada Conceição. Esse referencial temporal reforça o caráter cíclico e comunitário da festividade, que se renova ano após ano. 

Logo abaixo, encontra-se um painel de seleção contendo diversos eventos festivos registrados em destaque pela pesquisa (sabemos que existem outros momentos que, para essa primeira modulação, não foram inseridos no quadro), permitindo ao usuário visualizar e filtrar manifestações como: 

  • Cortada, Fincada e Derrubada do Mastro, rituais que simbolizam a abertura, ciclos de realização e encerramento das festividades; 
  • Alvorada de Natal, que anunciam os festejos e conecta o calendário cristão à religiosidade popular; 
  • Puxada do Navio, evento marcante que expressa a dramatização de rua de forma simbólica das memórias tradicionais e orais que explicam a origem dos festejos; 
  • Desfiles de bandas mirins e adultas, que expressam a transmissão geracional da cultura e da fé. 

Esses registros não apenas preservam a memória festiva, mas também evidenciam a diversidade de práticas e sua territorialização nos bairros e comunidades da Serra. 

⏳ Tempo de Existência e Frequência Histórica 

No rodapé da página, dois gráficos informam: 

  • Tempo de Existência (163 anos): número que aponta para o período mais antigo documentado sobre a festa, possivelmente oriundo de registros orais ou fontes históricas primárias, como jornais e livros. Esta informação foi marcada com base nos documentos analisados, mas, sabemos que é só um indicativo que auxilia na construção lógica e exata dos gráficos dos painéis.  
  • Gráfico de Eventos ao Longo dos Anos: uma visualização temporal que mostra a frequência com que os eventos do ciclo folclórico aparecem nas fontes analisadas entre os séculos XIX e XXI. É possível observar um crescimento gradual de registros a partir do século XX, sinalizando não só a continuidade das práticas, mas também o fortalecimento da cultura a partir de uma difusão cultural que teve aderência em várias localidades do território municipal.  

🧭 Significado Histórico e Educativo 

Essa aba permite que pesquisadores, educadores, estudantes e membros das próprias bandas de congo visualizem quais eventos resistiram ao tempo, quais ganharam maior protagonismo em determinadas décadas e como as festas reforçam a identidade coletiva. Mais do que uma simples linha do tempo, trata-se de um atlas histórico da fé e da resistência cultural negra capixaba.  

Porém, é importante uma ressalva, esse painel em especial ainda está com pontos a serem desenvolvidos e aprimorados. Resolveu-se mantê-lo como um elemento indicativo dessa história.  

A GEOGRAFIA VIVA DA CULTURA: LOCALIZAÇÃO ESPACIAL DOS PARTICIPANTES

O botão Participação da Capa leva um aspecto importante do painel interativo Família do Congo, pois revela uma dimensão estratégica e simbólica da pesquisa: a espacialidade. Ao visualizar a Localização Espacial dos Participantes, somos convidados a perceber como a cultura do congo, embora enraizada em territórios específicos da cidade da Serra, transcende fronteiras geográficas e se manifesta no cotidiano das famílias por meio de trajetórias de vida, vínculos comunitários e práticas culturais contínuas. 

Embora a pesquisa tenha indicado a localização por bairros, o que permite uma visão mais precisa sobre o local de morada dos participantes, este gráfico foi organizado por região ou distrito, como Serra-Sede, Jacaraípe ou Nova Almeida. É uma divisão que permite uma visualização interessante sobre os locais de habitação dos grupos, mas em um nível mais amplo, englobando em uma localidade maior, diversos bairros citados na pesquisa.  

Ao clicar no munu “Localização”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

O mapa como espelho do pertencimento 

No centro da visualização, um mapa exibe com precisão a moradia dos participantes selecionados. Com isso, o painel permite explorar onde vivem os membros das bandas, oferecendo uma visão georreferenciada da rede cultural viva que sustenta as tradições do congo. 

Ao lado do mapa, três cartões informativos fornecem detalhes essenciais sobre cada participante

  • Banda de Congo: Indica a qual grupo cultural o membro pertence, como por exemplo “Banda de Congo Konshaça – da Serra-Sede”. 
  • Função: Identifica o papel desempenhado dentro da banda, como Capitão, Rainha, Instrumentista ou Mestre, entre outros. 
  • Fase: Classifica se a pessoa faz parte da banda mirim ou da fase adulta, contribuindo para a análise geracional. 

Essa visualização permite cruzar dados de localização com os papéis ocupados pelos sujeitos, revelando pistas sobre a organização social das bandas e suas bases comunitárias. 

Implicações analíticas e pedagógicas 

A representação espacial dos participantes não é apenas um recurso gráfico: ela é uma poderosa ferramenta de análise territorial da cultura tradicional. Permite identificar se há concentração de determinados papéis (como capitães ou tocadores) em certos bairros, ou se há dispersão territorial que indica dinâmicas de mobilidade ou expansão da tradição. 

Além disso, ao destacar nomes individuais na lista lateral, o painel favorece o uso pedagógico e comunitário da ferramenta, podendo servir tanto como instrumento de estudo etnográfico quanto como dispositivo de valorização da memória viva local. 

VÍNCULOS QUE SUSTENTAM TRADIÇÕES: O PARENTESCO NAS BANDAS DE CONGO 

A seção “Características do Parentesco nas Bandas de Congo” do painel Família do Congo mergulha em uma das estruturas mais fundamentais da cultura: os laços de parentesco. Neste espaço interativo, visualizamos como as relações familiares estruturam a participação nas bandas, conferindo continuidade, identidade e profundidade afetiva às expressões culturais transmitidas por gerações. 

Ao clicar no munu “Características do Parentesco”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

Análise Quantitativa e Visual dos Vínculos 

Logo ao centro, o gráfico de rosca revela um dado impactante: 85,71% das pessoas que participaram da pesquisa mencionaram explicitamente parentes dentro da mesma banda de congo. Isso significa que a maioria esmagadora dos integrantes não vive essa tradição sozinha — ela é compartilhada entre irmãos, pais, mães, primos, tios e até bisavós. As relações são, ao mesmo tempo, memória, herança e força presente. Os cerca de 15% restantes não indicaram parentesco, mas não significa que também não tenham tais conexões.  

À direita do painel, observamos um detalhamento impressionante: foram identificados 12 tipos diferentes de vínculos familiares, somando mais de 760 menções diretas a parentes. As relações mais frequentes incluem tios/tias (63 menções)pais/mães (59) e primos/primas (58), seguidas por avós, irmãos e filhos — evidenciando a convivência intergeracional como marca das bandas. 

A presença de menções como “padrinho” e “madrinha”, além de ex-cônjuges, sogros e até tataravós, demonstra que a noção de família transcende a residência ou o núcleo doméstico, refletindo uma configuração ampliada de parentesco própria das culturas de matriz africana e popular. 

Um Retrato de Família Ampliada 

A tabela inferior complementa essa visualização com uma listagem de participantes, suas bandas e a frequência de menções a parentes — muitas vezes alcançando 20 menções por pessoa. Esse dado sinaliza não só a importância da família, mas o grau de conhecimento relacional que os integrantes possuem sobre a genealogia e história da banda em que atuam. 

Por meio dessa lente, o congo se revela não apenas como performance ou devoção, mas como um modo de ser em comunidade, em que a música, a dança e a fé são sustentadas pelos laços de sangue, afinidade e afeto. 

TIPOS DE PARENTESCO NAS BANDAS DE CONGO: LAÇOS QUE FORTALECEM A CULTURA

A aba “Tipos de Parentesco” do painel interativo Família do Congo revela a riqueza das conexões familiares e afetivas que sustentam a tradição das bandas de congo. Mais do que um dado técnico, essa visualização oferece uma leitura cultural profunda sobre como os vínculos entre os membros reforçam a permanência, continuidade e identidade dessas manifestações populares afrodescendentes. 

🔎 Visualização e Navegação Interativa 

Ao clicar no munu “Tipos de Parentesco”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

A página permite que o visitante filtre os dados por: 

  • Banda de Congo específica 
  • Participante da pesquisa 
  • Tipo de Parentesco 
  • Sexo do participante 

Esses filtros proporcionam uma exploração personalizada e detalhada, permitindo entender como cada tipo de laço se distribui entre diferentes grupos e lideranças. Ao selecionar um participante, por exemplo, é possível observar diretamente suas conexões familiares com os demais integrantes da banda, criando uma cartografia de afetos e ancestralidade. 

Esses dados revelam que, mesmo em bandas com um número reduzido de participantes na pesquisa, há uma densidade significativa de relações familiares mencionadas, o que demonstra a importância da família como base de sustentação das bandas, sobretudo nos grupos que não tiveram ampla participação no preenchimento do formulário. Esse dado deve ganhar uma configuração maior, quando novas rodadas de coleta de dados forem feitas.  

📋 Relações com Lideranças e Representatividade 

A tabela visível ao final da página apresenta com destaque os nomes dos participantes e os parentescos mencionados com figuras de liderança. Neste caso, tendo como exemplo a comunidade de Santiago, é possível perceber múltiplas menções a lideranças como Antonio Freitas e Lucimar Freitas, apontando não apenas para uma relação direta de sangue ou afinidade, mas também para a existência de uma herança afetiva e familiar que atravessa gerações. 

Essa informação qualifica o entendimento sobre a construção simbólica das lideranças: não se trata apenas de autoridade formal, mas de reconhecimento familiar e histórico dentro do grupo cultural. 

✨ Interpretação Cultural 

A exibição dos tipos de parentesco permite compreender como o congo se perpetua não apenas como expressão artística, institucional ou religiosa, mas como um verdadeiro espaço de família estendida. As bandas operam como “troncos familiares ampliados”, onde mães, pais, filhos, tios e primos compartilham não só o sangue, mas também o tambor, a dança e a fé. 

A presença de múltiplas gerações em uma mesma banda reforça o papel educativo e formativo dessas agremiações: crianças aprendem desde cedo o valor da ancestralidade, da responsabilidade coletiva e da devoção comunitária. 

REDES DE PARENTESCO POR MESTRE(A)S: LAÇOS QUE SUSTENTAM A CULTURA DO CONGO

Esta página do painel interativo “Família do Congo” apresenta uma visualização dinâmica das redes de parentesco entre integrantes das bandas de Congo da Serra a partir de figuras centrais: grandes mestres e rainhas que marcaram gerações com sua liderança, sabedoria e compromisso com a tradição. 

Ao clicar no munu “Redes de Parentes por Mestre(a)s”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

A proposta desta seção é destacar a força da ancestralidade a partir de grandes líderes e mestres como elo entre os sujeitos e as bandas, tornando visível a importância das linhagens familiares e afetivas que sustentam e perpetuam os saberes do Congo. Cada mestre ou mestra selecionado(a) revela, através de conexões visuais, os vínculos com outros membros da comunidade mapeados na pesquisa, permitindo observar, por exemplo: 

  • Quantos descendentes ou parentes diretos estão ativos nas bandas; 
  • Como uma figura histórica pode unir várias gerações e grupos distintos; 
  • A circulação dos valores culturais e espirituais através das famílias. 

Além do nome e do gráfico interativo, esta seção exibe também a imagem de referência do(a) líder tradicional, contribuindo para valorizar e manter viva a memória dessas figuras. 

DESCRITIVO ANALÍTICO – PÁGINA “REDES DE PARENTESCO PELAS BANDAS DE CONGO” 

A página “Redes de Parentesco pelas Bandas de Congo” oferece uma interface interativa que permite ao usuário visualizar como as relações de parentesco estão distribuídas entre os integrantes das diversas bandas de congo da Serra, com ênfase em laços familiares e trajetórias compartilhadas entre grupos culturais locais. 

Finalidade da Página 

A proposta da página é revelar, de forma visual e dinâmica, como os vínculos familiares entre os integrantes atravessam diversas bandas de congo — destacando tanto a continuidade das tradições entre gerações quanto os processos de mobilidade entre bandas. Isso reforça a noção de que o pertencimento cultural na tradição do congo é sustentado por laços familiares e territoriais, com impacto direto na manutenção da memória, identidade e espiritualidade coletiva.  

É possível conjeturar que, se em um primeiro momento da história dessas manifestações, a moradia em um mesmo local marcava a identidade familiar, com o tempo e o crescimento populacional, parentes e membros da mesma linhagem familiar, atuam em bandas diferentes e até em regiões distintas do território municipal.  

Ao clicar no munu “Redes de Parentes por Banda”, chega-se nesta página. Seus elementos podem ser compreendidos observando a imagem acima. Veja também a descrição desta parte a seguir.

🖼️ Componentes Visuais e Funcionais 

  • Menu suspenso: Permite selecionar uma banda de congo específica. No exemplo exibido, está selecionada a “Banda de Congo São Benedito e São Sebastião – de Nova Almeida”. 
  • Fotografia representativa da banda: A imagem, localizada à esquerda, mostra os membros da banda em seus trajes típicos e indumentárias, reforçando o reconhecimento visual e a identidade do grupo selecionado. 
  • Visualização gráfica em rede (nó central e conexões): Ao centro, um gráfico tipo rede exibe a banda selecionada como nó central (vermelho) e as bandas relacionadas por vínculos de parentesco como nós periféricos conectados por linhas. As cores distintas indicam diferentes bandas mencionadas pelos participantes ou vínculos múltiplos. O número entre parênteses sinaliza a quantidade de integrantes que mencionaram parentes em determinada banda. 
  • Elementos gráficos decorativos (ícones de tambor, fogueira, etc.): Localizados na parte inferior esquerda, evocam elementos da cultura congueira e criam ambientação estética coerente com o tema da página. 
  • Resumo inferior por localidade de origem: Traz os nomes de indivíduos e o total de vínculos que declararam, como “Antonio Mariano – Jacaraípe (1)” e “Felipe da Vitória Correa – Bicanga (1)”, além da categoria “Não citou (5)”, o que indica pessoas que não mencionaram vínculos explícitos. 

🧩 Interpretação dos Dados 

O gráfico evidencia que a banda selecionada possui vínculos familiares com pelo menos sete outras bandas de congo, sendo mais forte com a própria “Banda de Congo São Benedito e São Sebastião – de Nova Almeida” (8 menções), indicando que o nome se refere a uma identidade complexa, possivelmente marcada por múltiplas formações ou fragmentações internas. 

📚 Valor Cultural e Metodológico 

Essa visualização propicia ao leitor uma compreensão rápida e intuitiva de como os laços de sangue sustentam e entrelaçam as expressões culturais das bandas de congo. Ao permitir cruzamentos interativos por banda, a ferramenta contribui para: 

  • A valorização das trajetórias familiares; 
  • A preservação da memória das bandas; 
  • A identificação de redes de apoio e transmissão de saberes intergeracionais. 

Convite ao Leitor

Tutorial em vídeo: como navegar 

Para auxiliar o público a explorar melhor os recursos do painel, foi produzido um vídeo explicativo que está incorporado na página do blog. O vídeo apresenta a lógica de funcionamento, destaca os principais gráficos e explica como interagir com os filtros e botões. 

Assista abaixo ao vídeo com um guia bem completo para navegar pelo painel, conhecer suas funcionalidades e explorar os dados: 

Vídeo Painel Família do Congo – Tutorial explicativo de Michel Dal Col Costa

Explore o Painel 

Percorra as páginas e analise o painel abaixo. Ao clicar na seta dupla, pode-se ampliar a tela do dashboard.

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